Entendendo o maior motivo que leva pessoas à terapia e como lidar com ela
A ansiedade é o motivo mais frequente que leva pessoas a buscar terapia. Neste artigo, você vai entender o que ela realmente é, como reconhecer seus sinais, e o que a ciência diz sobre as formas mais eficazes de lidar com ela.
Por Cristina Fernandes · CRP 05/777573
# Entendendo o maior motivo que leva pessoas à terapia e como lidar com ela
Resumo: A ansiedade é o motivo mais frequente que leva pessoas a buscar terapia. Neste artigo, você vai entender o que ela realmente é, como reconhecer seus sinais, e o que a ciência diz sobre as formas mais eficazes de lidar com ela — incluindo o papel da terapia cognitivo-comportamental.
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Por que a ansiedade é tão comum?
Se você chegou até aqui, talvez já tenha sentido na pele: aquela preocupação que não sai da cabeça, o coração que acelera sem motivo aparente, a sensação de que algo ruim está por acontecer — mesmo quando tudo parece estar bem.
Você não está sozinha(o). A ansiedade é, comprovadamente, o motivo mais frequente que leva pessoas a procurar um profissional de saúde mental. Segundo a Organização Mundial da Saúde, nos últimos anos, casos de ansiedade aumentaram significativamente em todo o mundo — especialmente após períodos de crise sanitária e econômica.
E aqui vai um dado importante: sentir ansiedade de vez em quando não significa que você tem um transtorno. A ansiedade é uma resposta natural do nosso corpo — é ela que nos mantém alertas, preparados, motivados. O problema aparece quando ela se torna constante, excessiva e começa a interferir no dia a dia.
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O que é ansiedade, exatamente?
De forma simples, ansiedade é a ativação do nosso sistema de alarme — o mesmo que nossos ancestrais usavam para fugir de predadores. Quando detectamos uma ameaça (real ou imaginada), o corpo libera adrenalina e cortisol: o coração acelera, a respiração fica mais rápida, os músculos se tensionam.
Isso é útil em situações de perigo real. Mas quando o alarme dispara sem motivo, ou fica ligado o tempo todo, ele deixa de ser protetor e vira um problema.
Existem diferentes tipos de ansiedade:
Ansiedade normal ou adaptativa
É aquela que aparece antes de uma prova, numa entrevista de emprego, ou quando você precisa tomar uma decisão importante. Ela passa quando a situação passa.
Transtornos de ansiedade
São quando a ansiedade persiste mesmo sem ameaça real, ou quando é desproporcional ao que está acontecendo. Incluem:
- Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG)
- Transtorno de Pânico
- Fobias específicas
- Ansiedade Social
- Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT)
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Como reconhecer os sinais?
A ansiedade pode se manifestar de várias formas — nem sempre é óbvia. Alguns sinais comuns:
No corpo:
- Coração acelerado
- Respiração curta ou ofegante
- Tensão muscular (principalmente no pescoço, ombros e mandíbula)
- Dores de cabeça recorrentes
- Problemas gastrointestinais (estômago apertado, náusea, intestino alterado)
- Dificuldade para dormir ou sono inquieto
No pensamento:
- Preocupação excessiva com coisas que podem dar errado
- Sensação de que algo ruim vai acontecer
- Dificuldade de concentração (a mente fica "girando")
- Pensamentos catastróficos
No comportamento:
- Avoidance (evitar situações, lugares, pessoas)
- Verificação excessiva (checar coisas repetidamente)
- Necessidade de controle sobre tudo
- Dificuldade para tomar decisões
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Como a terapia ajuda? A abordagem da TCC
A boa notícia: ansiedade é tratável. E a abordagem mais respaldada pela ciência para transtornos de ansiedade é a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).
Na TCC, trabalhamos em duas frentes principais:
1.认知 (Cognições) — entendendo seus pensamentos
Você aprende a identificar pensamentos automáticos que alimentam a ansiedade. Por exemplo: "Se eu falhar nessa apresentação, vão me achar incompetente." Na terapia, a gente examina se esse pensamento é realista, quais evidências o sustentam, e o que acontece quando você testa essa crença.
2.Behavior (Comportamento) — mudando o que você faz
Muita gente com ansiedade evita coisas que causam desconforto. O problema é que evitar alivia por pouco tempo, mas reforça a crença de que aquilo é perigoso. Na TCC, a gente gradualmente enfrenta essas situações — com estratégias como exposição e experimentação comportamental.
O que a pesquisa diz:
Estudos mostram que a TCC é eficaz em reduzir sintomas de ansiedade de forma duradoura. Além disso, diferente de medicação, ela te entrega ferramentas para a vida — você aprende a reconhecer seus padrões e lidar com eles de forma independente.
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Estratégias práticas para começar hoje
Enquanto a terapia faz um trabalho profundo, existem coisas que você pode incorporar no dia a dia para ajudar a regular a ansiedade:
Respiração diafragmática
Quando estamos ansiosos, respiramos de forma rasa, com o peito. Pratique: inspire lentamente pelo nariz (contando até 4), segure (4), expire pela boca (6 a 8). Faça isso por 2-3 minutos quando sentir ansiedade subiendo.
Crie uma rotina de sono
Privação de sono piora a ansiedade. Tente dormir e acordar em horários fixos, evite telas 1 hora antes de dormir, e reduza cafeína no fim do dia.
Movimento importa
Exercício físico regular reduz níveis de cortisol e libera endorfinas. Não precisa ser maratona — uma caminhada de 30 minutos já ajuda.
Nomeie o que está sentindo
Quando você coloca palavras na ansiedade ("estou sentindo minha frequência cardíaca aumentar e meus pensamentos estão acelerados"), ela perde um pouco da intensidade. É como olhar para o monstro e perceber que ele é menor do que parecia.
Cuidado com o que você consome
Álcool, cafeína em excesso e alimentos ultraprocessados podem ampliar a resposta de ansiedade. Observe como seu corpo reage.
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Quando procurar ajuda profissional?
Se a ansiedade está:
- Afetando seu trabalho, seus relacionamentos ou seu sono
- Causando sofrimento significativo
- Fazendo você evitar atividades que antes fazia
- Vindo acompanhada de pensamentos de auto-harm
É hora de procurar um profissional. Você não precisa esperar a situação ficar insuportável — quanto antes, melhor.
E se você estiver em crise — com pensamentos de se machucar ou desespero intenso — procure o CAPS mais próximo ou ligue para o Centro de Valorização da Vida (188) ou SAMU (192).
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Reflexão final
A ansiedade não é sua inimiga — ela é uma resposta do seu corpo que, às vezes, precisa ser recalibrada. Buscar ajuda não é fraqueza; é uma das formas mais corajosas de cuidar de si mesmo.
Se você está pensando em fazer terapia, mas ainda não deu o primeiro passo: esse texto já foi um sinal de que algo dentro de você está buscando mudança. Isso é importante.
E se quiser continuar essa conversa, estou aqui. 💚
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*Este artigo tem caráter informativo e não substitui avaliação profissional. Se você está em crise, procure ajuda especializada: CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) ou ligue 188 (CVV).*
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